Como calcular o número de serventes em contratações de limpeza

Pessoal, boa tarde!

Estamos em processo para contratação de serviços de limpeza e conservação para várias unidades nossas em Minas Gerais e estou com dúvidas crués em como estimar a quantidade de serventes para limpar as esquadrias externas sem exposição a situação de risco e com exposição a situações de risco.
O problema está na frequência de limpeza dessa áreas e como essa frequência interfere no cálculo do número de serventes.

Para as áreas internas, estou fazendo um cálculo simples:

Nº de serventes = área física a ser limpa/ produtividade
Exemplo:

  • Pisos Frios Nº de serventes = 7.112,61 / 1200 = 5,93 serventes para limpar esta área, diariamente, trabalhando 8 horas por dia.

No caso das esquadrias, a frequência de limpeza é quinzenal, ou seja, limpa-se 2 vezes no mês.

Essa frequência altera o cálculo do número de serventes? Em caso afirmativo, como ficaria o ajuste da fórmula?

Agradeço imensamente qualquer ajuda.

Edna Santos Giani
SRRF06 - Salic06

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Oi, Edna.

Tentarei explicar com um exemplo. Digamos que você tenha 1.000m2 de esquadrias para serem limpos, duas vezes por mês. E que a produtividade diária (jornada de 8h) seja 250m2, ou seja, um profissional da limpeza é capaz de limpar, em um dia, 250m2 de esquadria.

Veja que se a limpeza fosse realizada todos os dias, seriam necessários 4 profissionais, cada um limpando 250m2 = 4 x 250m2 = 1000m2.

Agora, se a limpeza ocorre a cada quinze dias, então, o mesmo profissional pode limpar, na segunda-feira, 250m2, na terça, mais 250m2, na quarta, mais 250m2 e na quinta, os últimos 250m2, totalizando a área completa. Então, em 4 dias, o profissional limpou tudo. E só voltará a cuidar dessa área depois de duas semanas. Ou seja, ele precisará de 8 dias, durante o mês, para cuidar das esquadrias.

Como a gente calcula isso, para proporcionalizar, como se a limpeza fosse realizada todos os dias?

Veja que usamos 1 profissional, durante 4 dias (segunda a quinta) para limpar tudo uma vez. Para limpar duas vezes no mês, então, precisamos de 8 dias desse profissional. São 8 dias x 8h de jornada = 8 dias * 8h = 64h de trabalho no mês, necessárias para limpar 1.000m2 de esquadria.

Então, uma forma de calcular é pensar o seguinte: O profissional trabalha, na prática, 190h por mês (44h/semana * 4,33 semanas/mês, sem considerar feriados). Se vamos precisar de 64h desse profissional, então são 64/190 = 0,34 homem-mês para limpar as esquadrias.

É assim que a IN 05/2017 faz o cálculo, usando a frequência quinzenal (16h de trabalho do profissional por mês) e considerando 188,76h de jornada média mensal (vide Anexo VII-D da IN 05/2017).

Então, genericamente, para estimar a quantidade de pessoal necessária, a fórmula é:

( [área física em m2] / [produtividade diária] ) * (frequência no mês, em horas de jornada / jornada mensal em horas)

No nosso exemplo:

(1000m2 / 250m2 ) * (16h / 190h) = (4) * (0,084) = 0,34 homem-mês.

Outra forma de fazer o cálculo é usar os dias, em vez das horas, de modo simplificado e arredondado. Por exemplo:

( [área física em m2] / [produtividade diária] ) * (frequência no mês, em dias / dias úteis no mês)

Em nosso exemplo:

(1000m2 / 250m2 ) * (2 / 22) = (4) * (0,09) = 0,36 homem-mês.

É muito importante entender que muito mais relevante do que a precisão desse cálculo é o estudo apropriado da frequência realmente necessária (raras vezes encontrei locais que precisavam, mesmo, de limpeza nas esquadrias duas vezes por mês, a grande maioria, na prática, limpava essa área bem esporadicamente) e a efetiva produtividade diária esperada, com o uso de tecnologia, equipamentos, bons insumos e pessoal treinado. Já viu limpeza de vidro em aeroportos? Há técnicas avançadas que multiplicam imensamente a produtividade.

Espero ter ajudado.

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Muito obrigada, Franklin.
Entendi. Ajudou demais. Na verdade, resolveu meu problema.

Grande abraço.

Boa Noite Franklin!

Como podem ser tratados os casos de unidades pequenas em que a área contratada não justificaria a contratação de 1 posto integral, tipo 0,50 homem-mês para a áreas e frequências totais a serem cobertas? É possível contratar 1 servente de 20 horas semanais, por exemplo?

Desde já, obrigado

Oi, Douglas.

Falei sobre isso algumas vezes. Indico alguns links históricos do Nelca sobre o tema:
https://groups.google.com/g/nelca/c/y0KjG1Svejw/m/rooUxuzvCAAJ

https://gestgov.discourse.group/t/servente-de-limpeza-meio-perido-como-conciliar-com-a-in-05-2017/663/2

https://gestgov.discourse.group/t/servico-de-limpeza-pequena-metragem-e-meio-periodo/3368/2

Em resumo, há mais de uma alternativa. Muito depende das necessidades efetivas (e restrições econômicas) do contratante. Precisa limpar (ou estar de plantão para emergências) o dia todo? Precisa limpar pelo menos 1x todos os dias? Poderia limpar 2x por semana? Poderia compartilhar os serviços de limpeza com outra unidade?

Eu continuo defendendo a simplicidade, em homenagem ao mantra do Art. 14 do DL 200/67. Se um posto de 20h por semana é suficiente, de segunda a sexta, com 4h por dia, não compensa contratar por m2 com toda aquela complexidade de áreas maiores.

As demandas de bebidas quentes, tradicionalmente supridas por postos de copeiragem, poderiam ser agregadas ao serviço de limpeza, nesses casos de pequenos locais. Já falamos sobre isso algumas vezes no histórico do Nelca.

Art. 14. O trabalho administrativo será racionalizado mediante simplificação de processos e supressão de contrôles que se evidenciarem como puramente formais ou cujo custo seja evidentemente superior ao risco. (DL 200/67)

Franklin Brasil

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Obrigado pelos “imputs” Franklin. Foram esclarecedores.

A propósito: Dentro da mesma licitação estamos com um impasse em relação à necessidade do serviço de limpeza 7 dias por semana em uma unidade museológica/sítio histórico com visitação diária. Até hoje, nossos contratos sempre foram de segunda à sábado, porém com muitas reclamações pela falta de limpeza aos domingos. Agora, com a questão da pandemia e das maiores preocupações com a sanitização dos ambientes não teremos como fugir de limpeza diária, 7 dias por semana.
Como equacionar o trabalho aos domingos? Prever folguista na planilha de custos? Contratar um posto separado só para os domingos?

Agradeço eventual orientação.

Att,

Douglas

Oi, Douglas. Novamente, depende da necessidade. Sábados e domingos são dias de maior movimento? Exigem limpeza o dia todo, ou somente uma parte do dia? Durante a semana, precisa de limpeza o dia todo ou bastariam, por exemplo, jornadas parciais de 4h?

A depender das respostas, alguns arranjos serão melhores que outros.

Por exemplo, se a necessidade de limpeza for apenas de meio período todos os dias (4h por dia), seria possível pensar em contratar um posto de 24h/semana (segunda a sábado) e outro posto de 4h/semana (domingo). Outra possibilidade seria um posto de 16h (segunda a quinta) e outro de 12h (sexta a domingo).

A CLT permite jornadas parciais (trabalho em regime de tempo parcial, Art. 58-A) de até 26h (com possibilidade de mais 6 extras) por semana ou até 30h (sem extras).

Se a necessidade for de limpeza, todos os dias, em jornada integral (8h/dia), aí outros modelos poderiam ser pensados.

Por exemplo, 1 posto de 44h (segunda a sábado) + 1 posto de 12h (sábado e domingo). Ou 2 postos, um de, digamos, 30h (segunda a quinta, com 7:30h cada dia, se esses forem dias mais tranquilos, em que a jornada pode ser menor) e outro de 24h (sexta a domingo).

Se algum dos dias exige atendimento em mais de 8h de jornada, aí outros arranjos podem ser pensados.

Num caso extremo, em que a necessidade fosse, diariamente, de limpeza durante 12 horas, o arranjo mais óbvio seria um posto de 12x36h.

Reforço: tudo depende da necessidade, do problema a ser solucionado, da demanda que dá origem à contratação. É com base na efetiva necessidade, nos objetivos a serem atingidos, que se moldam os requisitos da solução a ser contratada.

Franklin Brasil

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Obrigado Franklin!

Pela dimensão da área (estamos falando dos sítios históricos das reduções jesuíticas no Rio Grande do Sul), justifica-se um posto de 44 horas de segunda à sábado. Nos domingos seria apenas para a manutenção da limpeza nos banheiros, guaritas, bilheterias e espaços com maior frequência de visitação durante o horário de abertura do parque (8 horas/dia)

Neste caso, entendes que meu edital poderia prever 1 posto de limpeza contratado em função da área a ser limpa e 1 posto apenas para o “plantão” aos domingos (este último sem entrar no cálculo da produtividade)?

Grato

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Douglas, nessas condições que você citou, por simplificação e racionalidade (valei-me, artigo 14 do DL 200), eu contrataria um posto de 44h de segunda e sábado + 8h no domingo. Como a contratada vai arranjar sua mão de obra para atender a essa jornada, fica a cargo dela. Na minha estimativa, eu usaria o modelo mais óbvio: um empregado de 44h/semana + um empregado de 8h/semana.

Veja que a contratada poderia, por exemplo, usar dois empregados de jornada parcial, sem pagar auxílio alimentação nos dias em que trabalharem 4h (a depender do que dispõe a Convenção, tem CCT que determina o auxílio mesmo em jornadas inferiores a 6h). Poderia ficar algo assim (possivelmente seria o que eu faria se fosse o empresário): segunda a sexta, os dois empregados, A e B, trabalham 20h cada um; no sábado, A trabalha 4h e folga domingo. No domingo, B trabalha 8h (folgou no sábado). Poderia, talvez, revezar quem atua no domingo.

Novamente, isso depende das permissões ou restrições da CCT. Mas é uma hipótese. O que foi contratada estaria sendo cumprido (8h de segunda a sexta, 4h no sábado e 8h no domingo).

Entendi!

Só mais uma dúvida: Neste caso desconsideraríamos as produtividades e áreas? Apenas posto de serviço?

Mais uma vez, obrigado.

Sim. É o que eu faria. Justificando a opção pela especificidade da contratação (os horários e dias de limpeza necessários) e simplificação de procedimentos.

Obrigado Franklin!
Um abraço.

Você oferece algum curso sobre produtividade?

1_
(30** x P*)
alguém poderia me explicar o que significa o 30 x P?

Roseli, esta “conta” é a imputação ou rateio do seu custo do (s) encarregado(s) para formar o preço unitário do metro de determinada área. No cálculo do servente você faz 1 (servente) / 800m² a 1200 m², certo!? Significa que 1 homem limpa de 800 a 1200 m² por dia, a depender da produtividade adotada.

Um encarregado organiza os trabalhos (parte "1 / " da fórmula) de um certo número de serventes que multiplicado pela produtividade resulta na área limpa (parte “30 x P” da fórmula), descobrindo assim o rateio do custo do encarregado para aquela área. Em outras palavras, é o custo do encarregado diluído numa quantidade de área limpa por 30 serventes.

Importante destacar que o referencial da IN 5/2017 diz que é necessário um encarregado a cada 30 serventes (tem interpretações de ser 1 encarregado somente a partir de 30 também). Ou seja, o número “30” da fórmula deve ser ajustado para o número efetivo de serventes que ele organiza os trabalhos. Em equipes pequenas o custo do encarregado aumenta em razão do rateio para um menor número de serventes, podendo impactar significativamente o valor do metro.

Na postagem abaixo tem um post tratando de forma mais detalhada sobre o cálculo do valor do metro. Vide:

Hélio Souza

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Roseli, a produtividade, quando bem estimada, deve contemplar a ponderação das rotinas, periodicidades e frequências em cada local ou tipo de local a ser limpo.

Imagine que você tem uma sala com 1.000m2 de área física de piso.

Se a limpeza fosse realizada 1x/dia e apenas 1 pessoa, numa jornada de 8h, fosse capaz de manter limpo nas condições pretendidas, então a produtividade ali seria de 1.000m2. São 1.000m2 de área física divididos por 1 pessoa.

Mas se o mesmo local precisa do mesmo tipo de limpeza 2x/dia, agora serão necessárias 2 pessoas em jornada de 8h para conservar o ambiente. Então, a produtividade, agora, será de 1.000m2 de área física divididos por 2 pessoas, ou seja, cada pessoa é capaz de manter 500m2 de área física. A produtividade, então, será de 500m2.

E se o local precisa da mesma limpeza 3x ao dia, a produtividade de cada pessoa seria 1.000m2 de área física divididos por 3 pessoas = 1.000/3 = 333m2

Por isso mesmo é que banheiros têm produtividades-padrão bem inferiores ao piso frio. A frequência das atividades de limpeza nos banheiros é maior. Se em piso, geralmente, a limpeza ocorre 1x/dia, nos banheiros pode ocorrer 4x ou até mais.

A metodologia que tenho defendido há tempos, desde que ajudei a implantar no Min Fazenda em Cuiabá, segue o exemplo da planilha em anexo.

Essa metodologia pode ser conferida no TR do Pregão nº 2/2015, cujo edital está disponível em:

http://comprasnet.gov.br/ConsultaLicitacoes/Download/Download.asp?coduasg=170190&numprp=22015&modprp=5&bidbird=N

Ali você encontrará a metodologia completa de definição das produtividades para cada ambiente a ser conservado, a forma de fiscalização definida por resultados e o ANS (hoje, IMR) adotado.

Todo o levantamento de dados foi lançado em planilha do Excel, uma linha para cada combinação ambiente/atividades, com campos a serem preenchidos e campos calculados automaticamente, para calcular a produtividade de cada ambiente conforme as atividades a serem desempenhadas, a periodicidade, a frequência, quantas pessoas realizam as tarefas, quanto tempo leva para realizar as tarefas.

A planilha também transforma a área física existente em uma “área convertida”, usando como base as produtividades da então IN 02/2008 (600m2 em áreas internas e 1.200 em áreas externas).

Assim, em cada local (pode ser também tipo de local, para simplificar) é medida a área física a ser conservada (em metros quadrados de piso), qual o tipo de limpeza a ser realizado (tarefas); a periodicidade (de quantos em quantos dias a tarefa é realizada); a frequência (vezes ao dia ou vezes na semana ou vezes na quinzena ou vezes ao mês e assim por diante); a equipe que normalmente realiza a tarefa (quantidade de pessoas); e o tempo, em média, necessário (minutos) para executar as tarefas.

É mais trabalhoso, reconheço, esse método. Mas é muito mais preciso, gerando uma estimativa detalhada e confiável e criando um bom mecanismo de fiscalização, porque a planilha de tarefas por ambiente pode ser usada para avaliar como a limpeza é executada e pode ser ajustada, aperfeiçoada, modificada conforme a realidade da execução. Ambientes podem ser modificados, tanto em termos de espaço físico quanto de atividades e uso, modificando a necessidade de tarefas de limpeza, o que pode ser facilmente gerenciado com essa planilha detalhada.

Na planilha em anexo, que apresenta os dados reais utilizados na licitação de 2015 no Min Fazenda em Cuiabá, a produtividade média, em áreas internas, foi de 1.800m2, incluindo 1 pessoa exclusivamente para cuidar dos bebedouros. Já nos banheiros, a produtividade ficou em 86m2, porque houve grande foco na limpeza desses espaços, com a previsão de lavagem completa 2x/dia e assepsia geral a cada 1h.

Espero ter contribuído.

Detalhamento de Areas e Atividades.xlsx (47.6 KB)

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Prezado, boa tarde!

Tudo bem com você?
Temos algumas dúvidas sobre cotação para limpeza e higienização, como podemos sanar? Trata-se de um caso grande, com maior sigilo.
Grato!

yurioliveira956@gmail.com

Prezados, boa-noite

Revivendo o tópico para uma dúvida.

Conforme dito , segundo legislação há uma produtividade mínima a ser seguida por cada funcionário. E há uma fórmula pra saber ± o número de funcionários em um contrato de conservação e limpeza.
Meu questionamento é o seguinte:

Esse número de funcionários eh mandatório, há obrigatoriedade?
Caso o contratante, pelos cálculos, coloque menos funcionários que deveria , ainda sim o contratante deve cumprir a metragem quadrada a ser limpa contratada mesmo com o número de funcionários reduzidos, respeitando claro a jornada de trabalho. Caso não cumpram , irá ocorrer a glosa na nota fiscal tendo em vista o índice de medição de resultado podendo incorrer ainda em demais sanções por inadimplemento contratual.
Meu raciocínio está correto?

Att

@Tellesmamt , o número de empregados nem deveria ser fixado pelo órgão, em limpeza. O cálculo deveria servir apenas como baliza para avaliar a exequibilidade da proposta, já que é baseado na produtividade referencial da norma ou na produtividade diferenciada, obtida a partir de contratos anteriores e/ou estudos preliminares.

Confesso que não entendi muito bem a segunda parte da pergunta, mas se foi no sentido de a Administração (contratante) ter dimensionado, na estimativa para a licitação, quantitativo de pessoal a menor do que efetivamente necessário, entendo que entra no conceito de erro de dimensionamento da proposta. Lembrando que, a depender da sua modelagem, o que vai determinar glosa é o resultado (não o nº de postos alocados).

Hélio Souza

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Nobre amigo, agradeço as orientações e saiba que me ajudou bastante nas decisões assertivas, porém segue abaixo outras questões:
1- percebo que existem muitas dúvidas no calculo do quantitativo de profissional quando se trata de tarefas semanais, trimestrais e semestrais. é correto meu entendimento em usar: (metro2/produtividade)* (8h/188,76*3) = em atividades trimestrais? , caso afirmativo, qual a memoriado calculo, sendo semanal e semestral?