Novos modelos para contratação de serviços de TIC

Em atenção às recomendações proferidas nos Acórdãos 2.037/2019 e 1.508/2020, ambos TCU - Plenário, e para mitigar as vulnerabilidades encontradas, a Secretaria de Governo Digital do Ministério da Economia, na condição de órgão central do SISP, está realizando estudos com vistas a um célere tratamento e aprimoramento dos modelos de contratação dos principais serviços de tecnologia da informação e comunicação remunerados atualmente pela métrica Unidade de Serviços Técnicos (UST).

Mais informações da iniciativa podem ser acessadas neste endereço.

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@Lucas29_SGD ansioso para começarmos as discussões. :slight_smile:

Não encontrei o link @Lucas29_SGD, vc poderia me enviar? obrigada

@Heloisa_Salgado vai ser nesse link mesmo que o Lucas colocou no tópico. Ficamos sem acesso ao ambiente de homologação e não conseguimos subir para o ambiente de produção, mas em breve a gente sobe e avisaremos aqui.

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@Lucas29_SGD, parabéns pela iniciativa!

Já que o assunto é contratação de TIC, trago uma dica.

Pensem com a mente e conhecimento de 2020, mas para resolver problemas de 2021 em diante.
Adaptado do lema da IBM.

Ou seja, tratar de TIC é tratar dos desafios futuros.

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@Lucas29_SGD, acompanhando também as discussões para aplicação no âmbito do Ministério da Defesa.

Prezados, obrigado pelos feedbacks!

Fizemos o upload da página com informações complementares sobre o projeto e alguma orientações importantes sobre o assunto, com base nas recomendações dos Acórdãos, no endereço constante da descrição deste tópico.

@Heloisa_Salgado segue o link específico: https://www.gov.br/governodigital/pt-br/contratacoes/modelos-para-a-contratacao-de-servicos-de-tecnologia-da-informacao-e-comunicacao

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Boa tarde, @Lucas29_SGD.

Fiz o cadastro na ferramenta CITISmart seguindo as orientações da página para participação no projeto, entretanto não encontrei a opção “Portal dos Serviços Estruturantes”. Ela já está disponível?

Cid Pires

Olá, Cid.

Está sim, é a opção à direita que aparece logo após o login na ferramenta. Em seguida, deve-se selecionar a opção Central de Serviços e Suporte do SISP - C3S e depois Contratações de TIC.

Bom dia, Lucas.

Obrigado pelo retorno.
Após o login, já aparece na tela a opção Central de Serviços e Suporte do SISP - C3S, destinado a abertura de chamados e nesta opção Contratações de TIC, onde constam opções para esclarecimento de dúvidas.
São estas as opções?

Exato Cid!

O canal da Central de Serviços e Suporte do SISP - C3S deve ser usado preferencialmente para o envio de dúvidas ou pedidos de esclarecimento sobre contratações de TIC.

As contribuições acerca deste projeto, Novos Modelos para Contratação de Serviços de TIC, podem ser compartilhadas por aqui mesmo! :slight_smile:

Interagindo por aqui, mais pessoas poderão participar das discussões simultaneamente.

Bom dia.

Obrigado, Lucas!

Vamos lá então…
Esse último Acórdão 1.508/2020 menciona “…contratados baseados em UST e similares …”, e podemos ver nesse e em outros Acórdãos até os históricos sobre as métricas de contratação (horas, dias, postos de trabalho, Ordens de Serviço, APF, UST…) com o intuito de aprimorar o processo e facilitar a administração e a auditoria.
Mas o famoso “paradoxo do lucro-incompetência”, termo que acho que foi cunhado pelo próprio TCU, continua muito atuante, tanto que recentemente a auditoria dos 55 contratos recentes (que originou o 1.508) mostrou isso.
Várias contratações de serviços de tecnologia continuam sendo lançadas por UST e seus variantes, com os contratantes alegando que vão controlar bem, e que seus catálogos de serviços são justos/adequados.
Muitas contratações também lançadas recentemente por Postos de Trabalho (horas)… conforme os contratantes seguindo o “modelo do próprio TCU”… que deve ser a área de TI do TCU… porque a área de Auditoria nunca recomendaria isso.
Mas existem outras contratações “mais novas” que utilizam um novo modelo ( IC-Item de Configuração, ou USI-Unidade de Serviço de Infraestrutura), de pagamentos correspondentes à complexidade e ao tamanho da infraestrura do contratante. Esse novo modelo foi até citado no Acórdão 2.502/2019-Plenário quando o Ministro Sherman falou"…a nova métrica e sua modelagem de contratação e execução pode vir a constituir boa prática a ser disseminada perante a Administração Pública ou, no mínimo, um novo caminho a ser trilhado rumo ao aperfeiçoamento das contratações”. Dezenas de Fornecedores têm participado dos processos de contratação por esse novo modelo, até porque é melhor e mais seguro para os dois lados. Dezenas de órgãos já contrataram nesse novo modelo (AGU, ANEEL, ANA, FUNASA… em 2020 a Polícia Civil do DF) que além de ter faturamentos mais adequados (não se paga por quantidade de atendimentos, nem exorbitâncias pra atividades simples) também são muito mais simples de administrar/fiscalizar. Importante destacar que apesar da nova métrica ser chamada (um dos nomes) Unidade de Serviços de Infraestrutura, ela não tem qualquer relação com a antiga UST-Unidade de Serviço Técnico. Inicialmente pode parecer que USI é uma métrica “similar” à UST… mas não é. A contratação pela métrica USI é baseada no valor monetário do IC- Item de Configuração.
Creio que a tendência é cada vez mais vermos essa nova métrica sendo utilizada, até por conta dos depoimentos dos contratantes, de facilidade de fiscalização e dos resultados que têm sido alcançados com melhor/menor utilização dos orçamentos.

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Muito interessante sua contribuição!
Você sabe ser há algum material de referência já publicado sobre a métrica USI?

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Essa forma de faturamento por Item de Configuração não é assim tão nova. Já vi o Gartner falando sobre isso… que na Europa já houve coisas similares. Não tenho na mão “material de referência publicado”, mas vou procurar e quando eu encontrar coloco aqui.

Tenho o endereço do Edital do Pregão 10/2019 da PCDF:
https://www.pcdf.df.gov.br/images/conteudo/licitacoes/2019/PE_10/PE_10-19.zip

Em maio houve dois dias de " Diálogo Público Aquisições de Soluções de TI ", quando os Auditores falaram das experiências e das avaliações que eles tiveram nas auditorias recentes, dos problemas com UST, e da alternativa do Item de Configuração. Está no Youtube a gravação dos dois dias:

1º. dia

O Auditor até comenta que é melhor pagar um “preço fechado” pelo parque do contratante do que “por chamados”…
… continua numa próxima mensagem…

continuando… porque houve impedimento de colocar dois links :wink:

2º. dia

Portanto, creio que o TCU já deve ter material de referência sobre isso.

Abs!

Obrigada, @SergioNielson!

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https://www.convergenciadigital.com.br/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm?UserActiveTemplate=site&UserActiveTemplate=mobile&infoid=54102&sid=10
Porto de Trabalho = contratação por horas … na minha opinião!

Prezados,

Atualmente estou como integrante no planejamento de uma contratação que tem como um dos itens o uso de Unidades de Serviço em um catálogo de serviços. Tive conhecimento sobre os dois Acórdãos (2037/2019 e 1508/2020) e tentei, na melhor maneira possível, atacar o que foi criticado e recomendado pelo TCU. Não resolve tudo, mas é o que até agora consegui avançar.

Para começar eu parti de algumas premissas, algumas delas vem até dos Acórdãos, sejam elas:

  1. Ajustar algo que já existe. O catálogo de serviços é um instrumento que todos já têm um bom conhecimento e o que precisa é ser melhorado/padronizado. Criar algo muito inovador poderia levar à descrença do modelo. Além disso, funciona bem para serviços esporádicos.
  2. Fundamentar e demonstrar o máximo possível os valores que foram escolhidos no catálogo. Ter metodologia de cálculo é primordial.
  3. Os custos dos profissionais apropriados para os serviços é a base para a estimativa correta dos serviços. É extremamente importante levantar os custos dos perfis profissionais, pois é o maior insumo para as empresas na hora de precificar alguma UST.

1º passo:
Para simplificar estabeleci 3 perfis profissionais para tratar as atividades, sendo um perfil júnior para as de baixa, um pleno para as de média e, por fim, um sênior para as de alta complexidade. Pois bem, qual o custo razoável desses perfis profissionais? Para tanto, construí uma cesta com o salário dos profissionais adequados para cada perfil profissional. É praticamente uma pesquisa de mercado. O resultado seria algo nesse sentido. Abaixo é um exemplo:

Cesta Profissionais ideais Sênior:

  • Analista de BI Sênior 11.000,00
  • Analista de Sistemas Sênior 10.000,00
  • Gerente de Projetos 13.000,00
  • Arquiteto de Aplicações 13.000,00
  • Auditor/Compliance de IT Sênior 10.000,00
  • Média 11.400,00
    *Fonte: Robert Half - guia salarial 2020

Cesta Profissionais ideais Pleno

  • Analista de BI Pleno 8.000,00
  • Analista de Sistemas Pleno 6.000,00
  • Auditor/Compliance de IT Pleno 7.000,00
  • Média 7.000,00
    *Fonte: Robert Half - guia salarial 2020

Cesta Profissionais ideais Júnior

  • Analista de BI Júnior 5.000,00
  • Analista de Sistemas Júnior 4.000,00
  • Auditor/Compliance de IT Júnior 4.500,00
  • Média 4.500,00
  • *Fonte: Robert Half - guia salarial 2020

Acima consta somente uma fonte, mas é fundamental incluir salários brutos de outras contratações públicas e de outras fontes do mercado. É só um exemplo. Os profissionais também. Outro ponto importante é que os serviços já devem estar delineados para se entender quais os tipos de profissionais são os mais adequados.

2º passo:
Estabelecer o fator-k para cada um dos profissionais e respectivo custo total. Aqui não teve jeito, usei uma planilha de custos para determinar o fator-k de cada um deles e custo total para a empresa. É fundamental fazer para cada um, pois há diferença de acordo com o salário. O resultado foi o seguinte:

CUSTOS TOTAIS ESTIMADOS PARA OS PERFIS PROFISSIONAIS - CIDADE DE REFERÊNCIA BRASÍLIA
Descrição   	     Qtde.	 Salário de Referência 	Custo Total Estimado 	Custo por hora Fator-k
Perfil Sênior	        1	             11.400,00	          24.459,16	            138,97	 2,1455
Perfil Pleno	        1	              7.000,00	          15.496,13	             88,05	 2,2137
Perfil Júnior	        1	              4.500,00	          10.403,52	             59,11	 2,3119

Além disso, com base no custo total estimado para cada profissional, estimei o custo por hora para cada um deles. Esse será o valor utilizado no catálogo para determinar o valor de cada serviço. O TCU cobra isso.

3º passo:
Determinar o custo total do catálogo. Percebam que até agora eu não falei em fator de ajuste. Esse ponto será tratado no passo 4 e não é necessário ainda. Pois bem, o cálculo agora é simples, é só multiplicar a estimativa de horas (falarei em apartado sobre isso adiante), pela estimativa de vezes que irá se repetir durante a vigência do contrato, pelo valor da hora do respectivo profissional (obtido no 2º passo). Lembrando, profissional júnior para serviços de baixa complexidade, pleno para média e sênior para alta.
O intuito é ter o custo total do catálogo:

SERVIÇO     CUSTO HORA    COMPLEXIDADE    QTD HORAS    QTD DE EXECUÇÕES-12 M    CUSTO UNITÁRIO DO SERVIÇO    CUSTO TOTAL DO SERVIÇO`
Serviço 1	     59,11 	         Baixa	         24	                      10	                 1.418,67 	 14.186,66
Serviço 2	     88,04 	         Média	         24	                       7	                 2.113,08 	 14.791,54 
Serviço n                                                                                                    ...
Custo total do Catálogo		    		                                                                     116.952,10

Observação. Ocultei várias colunas para caber na tela. As outras colunas se referem a outros pontos que o TCU cobra, mas não são relevantes agora. Por fim, mudei a nomenclatura de UST para UES para o meu caso.

4º passo.
Determinar o fator de ajuste (ou ponderação). Esse ponto é fundamental, pois o TCU cobrou muito isso. De onde saiu esse 1, 2 e 3 do catálogo da maioria dos órgãos? Pois bem, o cálculo é simples. É a simples relação dos custos totais de cada profissional com o mais baixo.

Perfil    Remuneração    Custo total    Fator de Ajuste          Cálculo
Sênior	    11.400,00	   24.458,70	         2,3510	    24.458,70/10.403,55
Pleno	     7.000,00	   15.495,90	         1,4895	    15.495,90/10.403,55
Júnior	     4.500,00	   10.403,55	         1,0000	    10.403,55/10.403,55

5º passo
Determinar o número de Unidades de Serviço (UES ou UST) do catálogo. Nesta etapa é necessário incluir o fator de ajuste para cada serviço. Agora é só multiplicar: a estimativa de horas X fator de ajuste calculado X quantidade de execuções previstas durante a vigência do contrato.

SERVIÇO   COMPLEXIDADE   QTD HORAS   FATOR DE AJUSTE   QTD DE UES   QTD EXECUÇÕES 12 M   QTD ANUAL DE UES AJUSTADO
Serviço 1        Baixa	        24	            1,00 	    24,00 	                10	 240,00 
Serviço 2        Média	        24	            1,49 	    35,75 	                 7	 250,23     
Serviço n        nnnnn	        nn	            nnn 	    nnnn 	                 n	 nnnnn    
TOTAL UES (UST)                                                                          1.978,51

6º passo
Agora é só determinar o valor justo da Unidade de Serviço. Basta dividir o custo total apurado (3º passo) pelo número de Unidades de Serviço (UES ou UST) (5º passo).
O Quadro resumo ficaria dessa forma:

Quantidade de UES (UST) Estimada	Custo Estimado    Fator-k Médio    Remuneração Júnior    Remuneração Pleno    Remuneração Sênior 	
                        1.978,51	    116.952,10 	         2,1990 	         4.500,00 	          7.000,00 	  11.400,00

Valor de referência da UES (UST):

Preço de UES de Referência (R$)    Cálculo
 		59,11	                   116.952,10/1.978,51

Como a empresa poderia oferecer preços melhores? Possíveis alternativas?

  1. Oferecendo salário menor para os profissionais exigidos;
  2. Fator-k menor, diminuindo lucro da planilha de custo, por exemplo;
  3. Estimando tempos menores para os serviços;

Outro ponto importante.

  1. Confesso que a memória de cálculo para o quantitativo de esforço (item 9.1.3.8 do Acórdão 2037/2019) é algo que me intrigou. Possível saída! Quando a descrição é muito genérica e simplista, a estimativa de esforço certamente estará incorreta. O melhor a se fazer é quebrar nas atividades (o TCU pede esse detalhamento) e estimar o esforço para cada uma delas, somar e ter o esforço do serviço final. Exemplo:

    Serviço                                                         Horas
    Implantar Processo de Gerenciamento de Portfólio de Serviços    ??????
    

Como falei, estimar os tempos das atividades ajuda a ter uma maior precisão:

Atividades e Horas para o serviço " Implantar Processo de Gerenciamento de Portfólio de Serviços"

  • Levantar dados e informações estratégicas para elaboração da situação atual do processo de Gestão de Portfólio de serviços: 20 horas
  • Modelagem da situação atual do processo de Gestão de Portfólio de Serviços: 16 horas
  • Validar com o gestor a modelagem da situação atual do processo de Gestão de Portfólio de serviços: 8 horas
  • Desenhar/Modelar novo processo para a Gestão de Portfólio de serviços: 16 horas
  • Validar o modelo de processo para a Gestão de Portfólio de serviços: 8 horas
  • Parametrização da ferramenta com o processo de Gestão de Portfólio de serviços: 16 horas
  • Customização da ferramenta com o processo de Gestão de Portfólio de serviços: 24 horas
  • Homologação do novo processo de Gerenciamento de Portfólio de Serviços: 16 horas
  • Documentação do Serviço de Gerenciamento de Portifólio de Serviços: 12 horas

Total: 136 horas

   Serviço                                                         Horas
   Implantar Processo de Gerenciamento de Portfólio de Serviços    136 horas

O melhor dos mundos seria termos um catálogo de serviços padronizado com os tempos médios para serviços comuns. Algo no estilo “tempos e métodos” da engenharia de produção. Se não me engano o TCU fez essa sugestão no 1508/2020.

Resumindo…

A tentativa foi precificar melhor os serviços com uma metodologia de cálculo que seja possível explicar e seja coerente com o principal custo para a empresa. Acho que no fundo, o catálogo de serviço nasceu dessa forma, mas com o tempo as coisas foram se perdendo e o modelo foi desvirtuado.

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Boa tarde Alexandre Diniz! Seria possível compartilhar conosco, da Anvisa, as planilhas de custos e formação de preços que você elaborou? A empresa que presta serviços atualmente para a Anvisa, a pedido, nos enviou sua planilha de custos, mas inseriu valores altos de vale alimentação, plano de saúde e treinamento. Como a CCT da SINDPD/DF é bem genérica, não nos pareceu possível também utilizar os valores dela unicamente.
Caso você possa compartilhar pelo e-mail arthur.reis@anvisa.gov.br