Contratação de Serviços de Limpeza e Conservação por Produtividade

Prezados(as), bom dia/boa tarde.

Estou com uma dúvida referente à elaboração das PCFP – Planilhas de Custos e Formação de Preço para contratação de serviços de limpeza e conservação por produtividade.

Temos uma filial cujo Termo de Referência (TR) estabelece a necessidade de contratação de, no mínimo, 02 (dois) Agentes de Higienização, considerando as seguintes áreas:

  • Área Interna: 545,99 m²
  • Área Externa: 9.223,76 m²
  • Área Envidraçada: 80,31 m²
  • Área de Sanitários: 43,56 m²

As produtividades definidas para cada tipo de área são as seguintes:

  • Área Interna: 800 m²
  • Área Externa: 9.000 m²
  • Área Envidraçada: 300 m²
  • Área de Sanitários: 200 m²
  • (Produtividade total considerada: 10.000 m²)

Abaixo, apresento as informações utilizadas no cálculo para validação da fórmula adotada:

  • Escala de trabalho dos postos: 6x1 (44 horas semanais)
  • Valor do posto do Agente de Higienização: R$ 10.000,00 (exemplo)

Cálculo do valor por m²

Área Interna:

  • Produtividade (1/m²): 1 ÷ (26 × 800) = 0,0000480769
    (sendo 26 o número de dias trabalhados no mês)
  • Agente de Higienização: R$ 10.000,00
  • Total do m²: 10.000 × 0,0000480769 = R$ 0,48/m²
  • Valor da Área Interna: 0,48 × 545,99 = R$ 262,07

Diante do exposto, gostaria de confirmar se o cálculo apresentado está correto e se ele poderá ser aplicado aos demais tipos de áreas, realizando-se, naturalmente, os devidos ajustes no quantitativo de dias e na produtividade correspondente a cada uma.

Olá, @Henrique_Sales

A área física a ser limpa é pequena, não compensa usar o modelo de produtividade. Por simplificação, eu sugiro defender o modelo de 2 postos, cuja quantidade foi determinada pela aplicação de índices de produtividade baseados nos padrões da IN 05/2017.

Por simplificação de cálculos, adotando parâmetros aproximados, a definição de postos ficaria assim:

Área Interna: 550 m² / 800m2 (produtividade) = 0,7 posto
Área Externa: 9.224 m² / 9.000m2 (produtividade) = 1 posto
Área Envidraçada: 80 m² / 4.500m2 (produtividade*) = 0,2 posto
Área de Sanitários: 44 m² / 300m2 (produtividade) = 0,1 posto

TOTAL DE POSTOS = 2 postos

(*) A produtividade de vidros foi calculada como o padrão diário da IN 05/2017 para Face Interna de Esquadrias (300m2) multiplicado pela periodicidade quinzenal (15 dias) = 300m2 * 15 = 4.500m2

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Obrigado, @FranklinBrasil, pela resposta e pelos esclarecimentos.

Ainda assim, permaneço com algumas dúvidas.

Em relação ao tamanho da Unidade, utilizei como referência a menor que possuímos. No entanto, informo que há outras Unidades significativamente maiores. Dessa forma, o modelo pode não ser o mais vantajoso para esta em específico, mas tende a ser mais adequado para as demais. Como as Unidades estão divididas por Lotes, a empresa vencedora será responsável por um grupo de Unidades, o que impacta diretamente na análise.

Quanto ao quantitativo de postos, agradeço pelo cálculo ilustrativo apresentado, que está bastante alinhado ao que também identificamos.

Contudo, a principal dúvida permanece quanto à fórmula utilizada para apurar o valor do m², considerando que será empregada a mesma base de referência., pela resposta e pelos esclarecimentos.

Olá, @Henrique_Sales

Mesmo que haja vários prédios fisicamente separados, continuo recomendando que cada um deles seja planejado, contratado e gerenciado como posto de trabalho, por simplificação.

Em prédios maiores, pode fazer sentido pagar por produtividade e m2, mas aí o ideal é gerenciar o serviço por resultado, sem foco em folha de ponto, mas em limpeza efetiva dos ambientes.

A precificação, nesse caso (pagamento por m2), precisa respeitar as produtividades diferenciadas de cada tipo de ambiente.

Por exemplo, na área interna, com produtividade, digamos, 800m2, o preço do posto-mês deverá ser dividido por 800. Por exemplo, se o posto custa R$ 4.000, o preço por m2 será = 4000/800 = R$ 5,00/m2

Na área externa, digamos que a produtividade seja 9.000m2. Se o posto-mês custa R$ 4.000, o preço por m2 será = 4000/9000 = R$ 0,44/m2

E isso ainda deve levar em conta o custo do Encarregado ou figura similar, que coordena e gerencia a equipe. O custo do Encarregado-mês deve ser dividido pela [produtividade *tamanho da equipe coordenada]
*
Exemplo: Digamos que o Encarregado (com custo-mês de R$ 5.000) gerencia equipe de equivalente a 30 pessoas no total do prédio. Na área interna do nosso exemplo, ficaria
R$ 5.000/[800 * 30] = R$ 0,21/m2

Então, o preço total da área interna nesse exemplo seria R$ 5,00 + 0,21 = R$ 5,21/m2

Cuidado com o uso desse tipo de preço/m2 para todos os prédios, se forem separados e as produtividades adotadas resultarem em frações de postos de trabalho.

Por exemplo, 3 prédios: (1) 1.000m2; (2) 1.200m2; (3) 1.400m2

Se você quiser pagar, em todos, por m2 e em todos adotar a produtividade de 800m2, o equivalente em postos de trabalho vai ficar assim

(1) 1.000m2/800 = 1,25 posto; (2) 1.200m2/800 = 1,5 posto; (3) 1.400m2 = 1,75 posto

Somando tudo, daria 4,5 postos. Pagando por m2, você estaria remunerando a contratada por 4,5 postos, mas como ela poderia alocar as frações de 0,25; 0,5 e 0,75 em cada prédio? Como será fiscalizado o serviço nessas condições? Já vi muito órgão cobrando da empresa a disponibilização de postos inteiros, mesmo pagando apenas fração do posto. Isso tende a quebrar a empresa e gerar muita dor de cabeça na execução.

Olá colegas!!

Concordo que para áreas pequenas como essa, o modelo de produtividade pode complicar desnecessariamente o processo. No entanto, adotar uma abordagem muito simplificada ou rígida pode gerar dificuldades tanto para a gestão e fiscalização do contrato (exigindo mais esforço para monitorar postos fixos em vez de resultados mensuráveis) quanto para as empresas prestadoras, que enfrentam desafios operacionais ao se adequar a índices que nem sempre refletem a realidade local.

Isso acaba desestimulando a participação no certame, reduzindo a concorrência e potencialmente elevando os preços finais. Talvez uma híbrida, com postos mínimos + métricas de produtividade ajustáveis, equilibre melhor. O que acham?

Abraços!

Com a devida vênia, gostaria de fazer um refexão sobre o tema, num prisma mais amplo.

Complicado, num país que nem trata o lixo corretamente.

O que se gasta com serviços de limpeza, e sabendo que tudo é efêmero, poderíamos ter uma política ambiental bem melhor.

Considerando que não adiante somente lavar as mãos, para dizer que o corpo esta protegido, é preciso cuidar do corpo TODO.

Quem garante que todo o dinheiro que é gasto com limpeza e conservação está corretamente aplicado? E agora tem outros serviços que fazem parte do KIT LIMPEZA, tipo os serviços de higiênicação e dedetização que são contratos que oneram a dotação orçamentária.

Só uma auditoria do TCU, poderia responder essa questão, utilizando a contabilidade da União consolidada com os demais entes da federação.

Entendo que precisamos de um diagnóstico desse custo (emprego + encargos + tributos + material + etc…….)

Quanto se gasta por exercício com os imóveis administrativos, escolas, hospitais, etc?

Quanto se gasta com a sustentabilidade do ambiente?

Essa conta está equilibrada?

Os descartes dos materiais plásticos, energia elétrica, vidros, descartes de alimentos e material hospitalar, blá, blá, blá,…

Enquanto a administração pública gasta com modelos de contratação dos anos 60, a sociedade vai morrendo com as crises climáticas dos anos 2000.

O que fazer? Melhorar as regras das dotações orçamentárias, são elas que estão financiando a raiz do problema.