Provocação e reflexão: para você, uma licitação se aproxima mais de uma negociação ou de uma prova de concurso?

Olá, colegas nelquianos! Queria propor uma atividade e um debate diferente, mais conceitual.

Em uma apresentação interna sobre a etapa de seleção do fornecedor, fiz uma provocação aos colegas que participam em diferentes fases de uma contratação. Não cheguei a me surpreender com as respostas, mas elas me fizeram refletir sobre a efetiva concretização de algumas teorias e teses relacionadas a licitações.

Então, gostaria de propor essa mesma reflexão aos colegas, iniciando com a seguinte provocação:

Se você tivesse que indicar o quanto uma licitação se parece com uma negociação (compra e venda ou contratação de serviço na esfera privada) e com uma prova de concurso, qual seria sua distribuição do percentual de semelhança com cada um deles? :thinking:

Quem desejar participar deverá distribuir 100 pontos percentuais entre as duas opções, conforme sua opinião, considerando a forma como vê os procedimentos, as práticas e principalmente a realidade das licitações que tem contato. É para dizer o quanto se parece na REALIDADE que você vivencia.

Exemplo: Quem acha que a similaridade atualmente é bem equilibrada, exatamente meio a meio, vai distribuir 50 pontos para a opção “Negociação” e 50 pontos para a opção “Prova de Concurso”. Já quem acha que nos certames que tem contato há um desequilíbrio em relação a uma das opções, vai aumentando a pontuação de uma e diminuindo a de outra conforme mensura empiricamente esse desequilíbrio.

A enquete foi disponibilizada no site Mentimeter e é bem simples de participar. Basta entrar no site e digitar o código 7380 1361 na parte superior da página, ou então clicar diretamente no link da enquete https://www.menti.com/alnokt3623re, ou ainda apontar a câmera para o QR Code a seguir.

Essa enquete ficará disponível por 14 dias, desde hoje, dia 27/08/2026, até dia 10/09/2026. Ao final vou divulgar os resultados e poderemos debatê-los na continuação do tópico. Nos desdobramentos sim é que vamos comparar a visão da realidade de cada um com o que entendemos que em teoria deveria ser, e o que falta em relação à nossa realidade atual.

Quem não desejar responder no site indicado, é livre para comentar diretamente aqui mesmo. Gostaria só de pedir para que fizesse isso somente após a divulgação dos resultados, dia 11/09/2026, para não induzir as respostas dos que preencherem a enquete. Além disso, infelizmente a opinião deixada apenas nos comentários do tópico não será computada no resultado final do questionário…

Desde já agradeço a participação de quem se interessar pela brincadeira e compartilho minha ansiedade pelos desdobramentos que virão desse debate!

Respondido o questionário :+1: .

Já fiz minha contribuição, rsrsrsrs…

Massa, @alex.zolet

Só fiquei na dúvida: é como a gente acha que É na real ou como DEVERIA SER no mundo ideal?

A ideia é ver a percepção de cada um da REALIDADE do cenário no qual está inserido. Acho que o ideal todos temos mais ou menos uma concepção parecida…

Fiz a enquete pensando em como as licitações tem se apresentado conceitualmente aos participantes, quais “ensinamentos” estão sendo colhidos dos certames.

Entendi. É uma boa forma de coletar opinião. Suponho então que seja prioritário para quem atua diretamente na seleção do fornecedor? Ou seria para qualquer etapa? Poderia ser respondido também por quem vende pro governo, não só quem compra?

Como é apenas uma provocação, e não uma coleta de dados para um estudo, creio que pode ser respondido por quaisquer envolvidos, em qualquer fase e em qualquer dos lados (governo ou fornecedor).

Depois, nos debates e nas reflexões, a gente pode ir categorizando e avaliando se há diferenças entre os públicos, quais os caminhos que cada lado vê como possibilidade de aprimoramento…

Como a participação ainda estava meio baixa, eu prorroguei o prazo até dia 22 de setembro, próxima terça-feira. Estou bem curioso para compartilhar os resultados da percepção geral que se tem de um processo licitatório e podermos debater a respeito.

Quem puder participar e responder a esta perguntinha, que é algo bem rapidinho (leva menos de 30 segundos), eu agradeço!

Respondi atrasada hahaha

Gostaria de compartilhar o resultado da pequena brincadeira que fiz, como uma provocação…

Houve uma dispersão relativamente grande nas respostas, como se pode observar da distribuição dos valores.

Nossa, como temos visões tão diferentes em relação à mesma fase de uma contratação pública! Teve, ao mesmo tempo, 90-10 para um lado e 90-10 para o outro lado!!! Como será que essas diferenças se refletem em nossas ações diariamente, diante de cada desafio enfrentado na condução dessa fase? Quantos de nós se deparam com um dilema e vão sedentos tentar “assinalar qual das letras é a alternativa correta”, procurando apenas na literalidade de algum artigo isolado na lei ou então em um “Acórdão do TCU pra chamar de seu”? E quantos de nós, na outra ponta, tentam por vezes flexibilizar excessivamente (ou até deixar de lado) normas e princípios (especialmente a vinculação ao instrumento convocatório e a isonomia) na linha do “topa tudo pelo menor preço” (ou pela oferta que julga ser a melhor)?

Eu particularmente vejo que a distribuição deveria ser razoavelmente equilibrada, mas não meio a meio… Entendo que antes de tudo a licitação é uma busca pelo melhor negócio, dentro de regras já previamente definidas. Então, para mim, a licitação seria mais ou menos 65% negociação, 35% prova de concurso. Equilibrado, mas pendendo para o lado da eficácia, da eficiência e da efetividade.

Não sei bem como propor a continuação dessa provocação, mas de qualquer forma deixo aberto aos colegas para contribuírem com suas visões. O pedido é com intuito puramente de construir conhecimento e debater experiências, e não para “caçar cliques e monetizar a postagem”, kkkkkkkkkkkk!!!

Alex, curti muito a provocação, e acho que a dispersão é o resultado mais interessante. Lá no começo a gente perguntou se era para responder como É ou como DEVERIA SER, e você abriu para quem compra e para quem vende. Um 90-10 de cada lado pode ser mais diferença de compreensão do objetivo ou de posição na mesa do que propriamente de concepção.

Esse dilema também não é só nosso. No livro de fraudes, falo disso citando Schapper, Malta e Gilbert (2006) que descrevem as compras públicas como uma tensão entre transparência e accountability de um lado e eficiência e efetividade do outro, com reformas indo e voltando entre desempenho e conformidade. E o Bosio et al. (2020), com mais de 1.200 profissionais de 187 países, encontrou que regra mais rígida ajuda onde a capacidade do setor público é baixa e atrapalha onde é alta, porque inibe a discricionariedade necessária. Fico me perguntando se quem respondeu “prova” não está, no fundo, descrevendo a capacidade do órgão onde trabalha.

Outra pista é que a licitação tem as duas metades em momentos diferentes. No planejamento existe espaço de decisão, que precisa ser motivado; depois do edital a discricionariedade se esgota e entra a vinculação. O curioso é que a gente profissionalizou mais a fase da “prova” do que a da “negociação”. Num artigo que ainda será publicado, falo sobre gestão por competências e mostro que o decreto federal regula agente de contratação, fiscal e gestor, mas deixa a equipe de planejamento num limbo, sem perfil de competência definido. Quem tem que decidir fica sem régua, e talvez daí venha a dificuldade de decidir.

Obrigado por suscitar o debate, Alex.