Outsourcing de Gestão Predial

Olá, pessoal!

@Heloisa_Salgado , vi o seu post (de pouco mais de 3 anos) e gostaria de saber como foi a sua experiência. Conseguiu contratar? Se sim, como está sendo a gestão?

Se as/os demais puderem contribuir, ficarei grato.

Obrigado!

Olá, @Tiago_Campos_Pereira

Há diversas experiências em andamento de contratos ‘integrados’ de serviços de Gestão da Ocupação.

Uma sugestão para conhecer alguns dos modelos é procurar na Busca Textual do Comprasnet por ‘facilities’ no campo ‘Objeto’, de 2020 até agora, filtrando [Material = Nenhum]

Já são 34 editais com essa modelagem. Alguns com todos ou a maioria dos serviços reunidos em um único contrato, outros um conjunto parcial de serviços. Há licitações baseadas em desempenho e outras em formato mais tradicional, de postos de trabalho.

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Olá @Tiago_Campos_Pereira, tudo bem?

Desculpa a demora para responder, mas a notificação da sua mensagem foi parar na caixa de spam do meu gmail e só agora que vi.

Sobre a sua pergunta, infelizmente, tivemos que rever a estratégia na época, em função da pandemia. Depois, eu mudei de área, ainda no período que trabalhávamos 100% remoto e aí não acompanhei mais, então não sei como ficou. Uma pena, né ?

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Muito obrigado, @FranklinBrasil

Muito obrigado, @Heloisa_Salgado

@FranklinBrasil, é possível obter esses estudos a aprofundados que delineiam as soluções postas no mercado e apresentam o faciliteis como a modelagem mais adequada? Indago porque o que vejo em muitos estudos são desenhos da solução já no campo da necessidade, sem a devida parametrização das soluções.

Você indicou um do DNIT e outro que estava estudando a modelagem para os ministérios. Consegui um estudo do FIA sobre o faciliteis na área hospitalar, mas gostaria de ver a possibilidade de obtenção de estudos voltados a esse tema que discutem com profundidade.

Acho uma pena não ser divulgado esses estudos iniciais, porque quem trabalha em órgãos e entidades estaduais e municipais, muitas vezes, não dispõem de técnicos em diversas frentes para formatação contratual. Aqui, cito até como exemplos o almoxarifado virtual e o credenciamento de passagens áreas. Não temos disponível esse estudo que leva em consideração os custos operacionais e de transação.

Desde já, agradeço a atenção e, em sendo possível, fico no aguardo.

Vanessa de Mesquita e Sá

Olá, @vanequita_ms,

Estudos aprofundados sobre modelagem de contratação ainda são escassos. E não creio que é possível garantir que o ‘facilities’ é sempre a opção mais adequada.

Esse é justamente o objetivo da minha tese de Doutorado. Propor metodologia de apoio à tomada de decisão multricritério para a escolha da ESTRATÉGIA DE CONTRATAÇÃO dos serviços de Facilities Management (FM). As estratégias também referidas na literatura como ‘alternativas’, ‘modelos’, ‘abordagens’, ‘escopos’, ‘soluções’, ‘categorias de fornecedores’, ‘arranjos’.

As estratégias de contratação de FM mais comuns são (a) serviços únicos (um contrato para cada serviço, como limpeza, recepção, portaria); (b) serviços agrupados (grupo ou pacote de serviços em um contrato) e (c) FM integrado ou total (todos os serviços fornecidos por um provedor sob um contrato).

Existe, ainda, o modelo ‘superintegrado’, incluindo projeto, reforma e provisionamento de equipamentos para edifícios públicos existentes, numa relação de longo prazo entre comprador e fornecedor, de até 20 anos.

Como identificar a melhor estratégia? Este é um desafio complexo com múltiplos critérios possíveis, muitas partes interessadas, objetivos potencialmente conflitantes e restrições multidimensionais, combinando vários campos de conhecimento, como gestão da cadeia de suprimentos, compras públicas e análise de decisões, todos convergindo para a multifacetada Gestão da Ocupação.

Meus estudos, até o momento, apontam a escassez de pesquisas específicas sobre a escolha da estratégia de FM. A literatura que existe acaba tratando mais da escolha entre ‘fazer ou comprar’, ou seja, entre executar com pessoal próprio ou terceirizar o serviço.

Encontrei estudos de escolhas similares, nas áreas de manutenção predial, PPP, retrofit predial. Os elementos de análise tendem a ser bastante amplos e complexos, envolvendo custos, benefícios e riscos, em áreas abrangentes como estado de conservação do prédio, maturidade do mercado fornecedor e da equipe de contratação e gestão contratual, custos de transação, custos de gestão contratual, qualidade do serviço, custo do serviço, mercado financeiro, políticas de ocupação, layout e mobiliário, tecnologia, projeto e necessidades de ocupação, sustentabilidade, riscos operacionais, riscos financeiros.

Há alguns modelos conceituais que ajudam a entender o tema. Especialmente o proposto em 2016 por Lok e Baldry, uma estrutura chamada Relação de Terceirização Contingencial de FM (FM CORE). O modelo classifica quatro diferentes estratégias: recursos próprios, expertise técnica interna, compromisso e metas comuns, baseado em quatro impulsionadores críticos para o serviço pretendido: coordenação, qualidade, competência e adequação.

Os autores apontam que as estratégias seguem uma trajetória evolutiva de complexidade e maturidade no relacionamento entre contratante e contratado. Cada estratégia tem benefícios e desvantagens, e as organizações devem considerar os custos e dificuldades de mover-se de uma opção para outra no processo de evolução da maturidade contratual.

Interessante que os autores aplicaram questionários a clientes de FM e fornecedores de serviços em Hong Kong e não encontraram influência das estratégias no desempenho dos serviços. A conclusão foi que clientes e fornecedores não entendem as diferentes estratégias e sua influência no desempenho dos serviços.

Isso serve de alerta. É possível que nossos gestores públicos e nossos fornecedores de serviços também não saibam muito bem como funcionam e qual o impacto das diferentes estratégias de contratação.

Talvez isso explique, em parte, a fragilidade metodológica dos nossos ETP, não apenas em FM, mas em quase tudo que contratamos. Escrevi sobre isso no artigo ETP: Dilema entre necessidade e solução

Aliás, também escrevi sobre a importância e o potencial da Gestão Estatégica da Ocupação. É o capítulo “Gestão da ocupação: em busca de eficiência no custeio administrativo do setor público” do livro Compras Públicas Centralizadas no Brasil.

Naquele texto eu apontei que há indícios de que a gestão integrada de contratos de FM pode gerar uma economia superior a 20%, pela sinergia e racionalização das operações. Há potencial, portanto, de estruturar contratações mais eficientes e tratar os custos de ocupação como um tema estratégico, passível, em especial, de centralização, levando à otimização do custeio administrativo do setor público.

Mas isso depende de vários fatores. Uma provocação que fiz no texto foi sobre o potencial da centralização da Gestão da Ocupação, como ocorre em outros países.

Nos Estados Unidos, por exemplo, a Administração de Serviços Gerais (GSA) é a maior proprietária e operadora de bens imóveis do país, responsável por gerenciar as necessidades imobiliárias da maioria das agências civis do Governo Federal. A GSA gerencia mais de 35 milhões de m2 de espaço em 9.600 edifícios.

A GSA também é responsável pela formulação de políticas de ocupação, definindo parâmetros para todo o governo federal, estabelecendo as melhores práticas para aperfeiçoar a eficiência do gasto com instalações, mantendo um banco de dados de todas as propriedades ocupadas e seus indicadores, incluindo o uso de tecnologia e gerenciamento de espaço para otimizar as taxas de ocupação e reduzir aluguel desnecessário.

Outro exemplo de modelo centralizado é do governo estadual do Texas. Lá, a Texas Facilities Commission (TFC) é uma agência que gerencia todos os prédios estaduais. A TFC estabelece padrões de ocupação, regras e diretrizes e contrata serviços como limpeza, controle de pragas, manutenção, gestão de resíduos. Entre as ações da TFC estão o planejamento e a gestão de espaço físico, incluindo análises estratégicas de longo prazo, de modo a alocar e gerenciar a atribuição de espaço para as atividades das demais agências clientes.

No Reino Unido, um programa de escritório flexível, por meio do compartilhamento de mesas, diminuiu o espaço ocupado por pessoa de 13m2 em 2011 para 9,9m2 em 2016. A taxa de ociosidade caiu 40% em cinco anos (de 2012 a 2017) e, em 2017, constituía apenas 1,5% da área útil. A estratégia de centralização da gestão da ocupação no Reino Unido, com a criação da Government Property Agency (GPA), tem proporcionado grande economia, pelo compartilhamento de prédios entre diversos órgãos governamentais de diferentes esferas e poderes. Austrália e Nova Zelândia têm iniciativas similares.

Ufa. Falei disso tudo para dizer que ainda temos muito chão pela frente, para desenvolver estudos aprofundados, tanto sobre a estratégia de ocupação, em linhas mais gerais, a respeito dos prédios e a forma como os ocupamos, assim como na decisão mais específica da estratégia de contratação de serviços para gerenciar e operar os prédios.

Outra pesquisa de Doutorado em andamento, da amiga Fabiana Marçal, da Fiocruz, vai buscar identificar fatores críticos da contratação integrada de serviços (contrato de facilities) para órgãos públicos. Isso deve nos ajudar a ter uma ideia mais clara sobre os desafios e oportunidades que temos na área.

É possível encontrar contratações recentes que buscaram fundamentar a opção pelo contrato agrupado de serviços.

Posso citar, como exemplo, o Pregao 13/2021 da Enap, com destaque para o ETP dessa contratação.

Mais um exemplo é o PE 02/2022 da Fiocruz para contratar serviços de apoio a gestão, operação e manutenção da Fiocruz Ceará. É um dos casos que conheço de maior amplitude de tipos de serviços agregados num único contrato.

Outro exemplo é o Pregão 03/2022 do TJDFT, com destaque para o ETP.

Mais exemplos que podem servir de referência:
01. Central de Compras. Piloto. Pregão 04/2022 e ETP

02. TREDF. Hard Services (Manutenção). PE 03/2022 e ETP

03. TREDF. Soft Services (Limpeza e outros). PE 01/2023 e ETP

Espero ter contribuído.

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Boa noite @FranklinBrasil.

Ajudou muito, inclusive seus artigos eu sempre apresento e destaco aos servidores que atuam na etapa do planeamento.

O artigo sobre o elemento necessidade do etp eu sempre trago para os casos em que atuo no assessoramento, mostrando, no caso concreto, as variáveis que devem ser investigadas para a construção dos demais elementos.

Torna-se necessário que haja uma melhor reflexão por parte dos agentes públicos que atuam no planejamento, por serem peças chaves para a evolução das contratações.

Muitíssimo obrigada pela atenção.

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