Caros Nelquianos, há muito queria iniciar uma discussão aqui acerca dos modelos de pagamento que o governo federal adota nos seus contratos de prestação de serviços com dedicação exclusiva de mão de obra, mas me faltou tempo.
Enfim, vamos lá!
Não é de hoje que tenho visto cada vez mais empresas desistindo de contratos por FATO GERADOR ou demonstrando desinteresse até mesmo na participação do certame. Sinceramente, olhando sob a ótica operacional e financeira das empresas, eu entendo perfeitamente. Hoje, o que mais vejo sendo adotado é a CONTA VINCULADA. Na minha visão já um pouco contaminada pela ótica empresarial, não é difícil compreender o motivo, mas eu gostaria da validação dos agentes de contratação/fiscais/gestores dos contratos. Queria ouvir a administração pública, porque da parte privada eu já estou saturado de argumentos contra e nada a favor.
Na minha opinião, o fato gerador transfere uma carga operacional gigantesca para a fiscalização contratual. É conferência mensal detalhada, análise contínua de eventos, validações sucessivas, retrabalho administrativo… etc. tudo isso exigindo horas e horas de servidores envolvidos na execução do contrato.
Quem defende esse modelo sempre coloca na conversa aquele argumento clássico: “dá trabalho, mas gera economia”. Será??
Tudo bem, em tese até pode gerar. Mas alguém já colocou na ponta do lápis o custo indireto dessa fiscalização hipercomplexa? Esse é o cerne da minha dúvida. Quantos servidores acabam envolvidos? Quantas horas técnicas são consumidas mensalmente? Quantos gargalos operacionais isso cria para o órgão? E quantos órgãos continuam insistindo nessa sistemática, na minha visão, aparentemente “falida”, mesmo ela claramente demonstrando não valer o seu “custo x benefício?”
No fim, a economia financeira aparente compensa mesmo o aumento brutal do custo administrativo e operacional?
Queria ouvir dos colegas: nos órgãos de vocês, o que tem prevalecido hoje, FATO GERADOR ou CONTA VINCULADA e por quê? Alguém já adotou historicamente FATO GERADOR e depois não mais por algum motivo? E principalmente: na prática, qual modelo tem se mostrado mais eficiente e sustentável na execução?
Gostaria de iniciar esse debate. Com prazer, lerei a opinião de todos. Obrigado desde já!