Comunidade Nelquiana,
Compartilho aqui os principais achados de um estudo empírico sobre preço estimado em pregões eletrônicos que venho desenvolvendo há alguns anos — e que finalmente ganhou a forma de artigo.
O ponto central é desconfortável: quem estima com mais acurácia tende a contratar menos. Não porque erra mais no processo — mas porque, em certos mercados, a estimativa bem calibrada reduz a margem do teto e afasta o fornecedor antes mesmo da disputa. É o que chamei de paradoxo da gordura.
O estudo se apoia em três bases:
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1,6 milhão de itens de pregões federais (2009–2019), regiões SE e CO, três grupos de material (Escritório, Subsistência, Uso-médico
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1,1 milhão de itens de medicamentos (2016–2023), todas as esferas
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192 mil itens de medicamentos no primeiro ano obrigatório da Lei 14.133 (mai/2024–mar/2025)
Alguns números que me pareceram relevantes para quem trabalha na área:
No uso médico, a eficácia caiu de 80% para 57% entre 2009 e 2016 — e não se recuperou. Na subsistência, órgãos SISG (metodologia rigorosa) chegaram a operar com 10% de gordura e 76% de eficácia, enquanto o não-SISG trabalhava com 44% e 93%. No primeiro ano da NLL, 1 em cada 3 itens de medicamento não virou contrato.
A conclusão não é “então vamos engordar o estimado”. É mais exigente do que isso: precisamos parar de avaliar compra pública só pelo deságio. O triângulo relevante é preço estimado, preço homologado e taxa de contratação. Fora disso, a análise é incompleta.
Coloco o PDF com a versão resumida em anexo. O estudo completo está disponível AQUI
Fico à disposição para discussão — especialmente quem trabalha com medicamentos ou com pesquisa de preços na ponta.
Espero ter contribuído.
Paradoxo_light.pdf (931,5,KB)
