Oi, @Cleiton-Rodrigues, pergunta boa demais.
Tenho trabalhado isso no meu curso avançado de preços.
Escrevi sobre isso no artigo “Qual o Preço Certo? Condições de Mercado e seus Dilemas na Pesquisa de Preços em Compras Públicas”
Indo direto ao ponto: eu não faria média das médias.
Quando a gente tira a média de uma fonte (por exemplo, 5 preços do Comprasnet) e mistura com três cotações, está tratando um “pacote” de 5 preços como se ele valesse o mesmo que 1 único preço isolado de cada cotação.
Isso porque você acabaria fazendo uma nova média de 4 valores:
( [média de 5 preços públicos] + [cotação 1] + [cotação 2] + [cotação 3] ) / 4
Nesse caso, cada valor desses representa 1/4 (25%) do total. Então, cada cotação vale 25% sozinha, enquanto os 5 preços do Comprasnet valem os mesmos 25%.
Ou seja, cada preço público vale (25% / 5) = 5%.
Será que é justo tratar cada preço público como se valesse 5 vezes menos que cada cotação com fornecedor?
Qual seria a base estatística, jurídica ou econômica para desbalancear as fontes da nossa cesta de preços?
Pensando numa analogia, imagine uma votação com 8 pessoas.
Cinco moram na casa A e três na casa B.
Agora imagine que a gente juntasse os 5 votos da casa A, para valer um voto só.
Aí esse único voto teria o mesmo peso, ou seja, valeria o mesmo que o voto de cada uma das três pessoas da casa B.
Não faz sentido o voto de 1 pessoa da casa B valer o mesmo que o voto de 5 pessoas da casa A.
A não ser que você queira isso de propósito e tenha um motivo para dar pesos diferentes às duas casas.
Voltando à pesquisa de preços, se os 5 preços do Comprasnet e as 3 cotações são todas referências válidas e comparáveis, eu colocaria os 8 preços na mesma cesta e calcularia a faixa de preços aceitável e a estimativa com base no conjunto total dos preços coletados.
O critério estatístico para definir a estimativa (média, mediana, média saneada, limite superior) deve se aplicar sobre o conjunto de preços válidos, não sobre médias parciais por fonte.
E, antes disso, claro, vem o mais importante: conferir se os oito preços realmente servem para comparar com o que você quer contratar. A conta é a parte fácil.
Escrevi sobre isso com o @walterluis no artigo Antes do Preço, a Triagem.
Espero ter contribuído.