Média de preços do Banco de Preços e composição do preço referencial

É adequado utilizar a média dos preços de uma amostra coletada na plataforma Banco de Preços para compor o Quadro Comparativo de Preços e, a partir dela, calcular uma nova média como preço referencial? Ou a amostra do Banco de Preços deve ser apresentada com os preços individualizados, juntamente com as demais cotações?

Exemplo: No Banco de Preços foram identificados cinco valores: R$ 90,00, R$ 95,00, R$ 100,00, R$ 105,00 e R$ 110,00, cuja média é R$ 100,00. Somando essa média às cotações A (R$ 110,00), B (R$ 105,00) e C (R$ 120,00), obtém-se uma nova média de R$ 108,75. Na outra situação, os cinco preços do Banco de Preços seriam considerados individualmente, juntamente com as três cotações, resultando em uma média de R$ 104,38.

Oi, @Cleiton-Rodrigues, pergunta boa demais.

Tenho trabalhado isso no meu curso avançado de preços.

Escrevi sobre isso no artigo “Qual o Preço Certo? Condições de Mercado e seus Dilemas na Pesquisa de Preços em Compras Públicas”

Indo direto ao ponto: eu não faria média das médias.

Quando a gente tira a média de uma fonte (por exemplo, 5 preços do Comprasnet) e mistura com três cotações, está tratando um “pacote” de 5 preços como se ele valesse o mesmo que 1 único preço isolado de cada cotação.

Isso porque você acabaria fazendo uma nova média de 4 valores:

( [média de 5 preços públicos] + [cotação 1] + [cotação 2] + [cotação 3] ) / 4

Nesse caso, cada valor desses representa 1/4 (25%) do total. Então, cada cotação vale 25% sozinha, enquanto os 5 preços do Comprasnet valem os mesmos 25%.

Ou seja, cada preço público vale (25% / 5) = 5%.

Será que é justo tratar cada preço público como se valesse 5 vezes menos que cada cotação com fornecedor?

Qual seria a base estatística, jurídica ou econômica para desbalancear as fontes da nossa cesta de preços?

Pensando numa analogia, imagine uma votação com 8 pessoas.

Cinco moram na casa A e três na casa B.

Agora imagine que a gente juntasse os 5 votos da casa A, para valer um voto só.

Aí esse único voto teria o mesmo peso, ou seja, valeria o mesmo que o voto de cada uma das três pessoas da casa B.

Não faz sentido o voto de 1 pessoa da casa B valer o mesmo que o voto de 5 pessoas da casa A.

A não ser que você queira isso de propósito e tenha um motivo para dar pesos diferentes às duas casas.

Voltando à pesquisa de preços, se os 5 preços do Comprasnet e as 3 cotações são todas referências válidas e comparáveis, eu colocaria os 8 preços na mesma cesta e calcularia a faixa de preços aceitável e a estimativa com base no conjunto total dos preços coletados.

O critério estatístico para definir a estimativa (média, mediana, média saneada, limite superior) deve se aplicar sobre o conjunto de preços válidos, não sobre médias parciais por fonte.

E, antes disso, claro, vem o mais importante: conferir se os oito preços realmente servem para comparar com o que você quer contratar. A conta é a parte fácil.

Escrevi sobre isso com o @walterluis no artigo Antes do Preço, a Triagem.

Espero ter contribuído.

@Cleiton-Rodrigues fazer uma média de médias é na verdade adotar o método da média ponderada, na qual não houve crítica ou motivação sobre a adoção dos pesos. Imagino que a razão dessa escolha seria para tentar poupar tempo… Contudo, para fazer isso direito, acho que você teria mais trabalho na tentativa de justificar essa operação.