A perpetuação da burocracia nas contratações públicas
Ausência de integração entre as diversas bases de dados. Processos eletrônicos que carecem de fluxos padronizados que proporcionem segurança tanto ao usuário quanto à Administração. Fornecedores necessitando preencher, reiteradamente, declarações com pouco efeito prático. E a cada vez maior dificuldade para o cidadão comum encontrar os diversos documentos que são exigidos e anexados.
O sistema que unifica o cadastro de fornecedores poderia muito bem realizar todas as etapas de habilitação de forma que somente as empresas habilitadas pudessem participar do certame. Bastaria tão somente que o sistema fosse integrado com as diversas exigências burocráticas tais como CEIS, CNEP, TST tanto de CNPJs quanto de CPFs. Um ou outro requisito teria caráter excepcional, dispensando os fornecedores de enviarem os mesmos documentos para cada certame em que forem participar.
Os modelos de editais ainda seguem a máxima do “copia e cola” da década de 1990. Outros documentos, que são elaborados por meio de sistemas, carecem da utilização de regras de formulário, tais como o preenchimento automático do documento a partir de regras de compliance, restando ao usuário a mera seleção em janelas de opções ou a inserção de textos curtos conforme o objeto.
É difícil esperar que algum fornecedor leia na íntegra de editais, Termos de Referência e Estudos Técnicos Preliminares, com textos longos que, por vezes, acabam repetindo-se (ou contradizendo-se). O resultado é o desinteresse por parte dos fornecedores qualificados diante de tantos riscos e responsabilidades.
As novidades tecnológicas surgem com cada vez maior velocidade, facilitando o trabalho humano em diferentes áreas.
Não obstante, ao menos até o momento, mesmo que se disponha de recursos de programação, API, Machine Learning, AI, entre outras, nenhuma tecnologia demonstrou-se disruptiva ao ponto de prevalecer perante a burocracia nas contratações públicas.
Algumas iniciativas isoladas foram capazes de proporcionar pequenos avanços. Entretanto, os resultados, efetivamente, surgirão a partir da conjugação permanente entre a produção, o desenvolvimento e a manutenção dos sistemas estruturantes em coordenação com as ideias e a experiência dos respectivos usuários.
E, obviamente, com o abandono da mentalidade burocrática.