Corrupção em contratos: cinco riscos num dedo de prosa

Divulgo artigo sobre fraudes em contratos, em estilo storytelling, que escrevi em grata parceria com os amigos Marcus Braga e Giovanni Pacelli.

Corrupção em contratos: cinco riscos num dedo de prosa

Campo mais fértil para o surgimento do dragão da corrupção é a execução de contratos financiados com dinheiro público
30/08/2020

Corrupção é assunto indigesto, daqueles que a gente gostaria de evitar. Deixa um gosto amargo na mente, a ideia incômoda de que convivemos, desde a origem dos tempos, com a sombra do oportunismo social. Mais amarga ainda é a noção de que não há cura para esse mal. Há, apenas, a luta constante, incessante e diligente, para tornar o sopro do dragão menos destrutivo, para dominar a fera em níveis aceitáveis, que permitam a vida em sociedade com melhores e mais prósperas perspectivas.

Um dos campos mais férteis para o surgimento e crescimento do dragão da corrupção é a execução de contratos financiados com dinheiro público. Se, por um lado, há boas chances desse bicho nascer nas licitações, seu ovo chocado nas fraudes que subvertem a competição e direcionam a vitória em condições injustas, eclodem na vigência dos contratos de modo que o monstro se fortalece, alimentado pelas verbas em descompasso com as entregas. Durante a execução contratual é que o prejuízo se torna concreto, conjurado sob diversas formas de subterfúgios irregulares, envolvendo preços, prazos, especificações.

Justamente sobre esse tema, que dificilmente ocupa as rodas de conversa nos domingos de futebol, debatiam, estranhamente animados, três amigos pesquisadores, depois de assistir a uma partida do Campeonato Brasileiro no estádio mais famoso do país. Enquanto outros milhares de torcedores divergiam sobre a imparcialidade na conduta do juiz naquele segundo pênalti, ou sobre a habilidade do treinador nas substituições, nossos interlocutores estavam preocupados com a montanha de dinheiro que a sociedade investiu na reforma daquela estrutura monumental, templo sagrado da bola, profanado, ao que se sabe, reiteradamente, por acordos espúrios de agentes públicos com empreiteiras renomadas…

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