Robô ALICE passa a morar dentro do Comprasnet

Comunidade Nelquiana!

Quem acompanhou notícias recentes (ou a live do MGI/CGU) viu um “casamento” oficializado: a Robô ALICE (aquela IA da CGU que varre editais) está integrada nativamente ao Comprasnet.

É animador, sob vários aspectos. No livro de fraudes em licitação, a gente já vinha defendendo esse tipo de integração há tempos, especialmente com a centralização no PNCP. Cito trechos:

*Pode-se imaginar um cenário de convergência de esforços e investimentos dos diversos órgãos de controle, de diversas esferas e poderes, para desenvolver e evoluir ferramentas compartilhadas de investigação e, espera-se, de prevenção de ilícitos…

A análise de grande volume de dados abrirá espaço para uma mudança considerável no monitoramento do gasto público, facilitando de modo nunca visto antes a identificação de casos de potenciais irregularidades que poderão resultar em atuação dos próprios gestores ou investigações de órgãos de controle, permitindo, por exemplo, identificar, de forma automatizada, fornecedores com sócios laranjas, empresas de fachada, grupos atuando em conluio.*

:robot: O que muda na prática? Entra em campo a lógica Preventiva. A ALICE lê o edital assim que ele é publicado. Se achar riscos (sobrepreço, restrição, incoerência, etc.), aparece um ícone de alerta na tela do gestor.

:light_bulb: O Lado Bom É uma ferramenta poderosa de segurança jurídica. Corrigir um erro antes da sessão evita impugnações, suspensões cautelares e aquela dor de cabeça de responder ofício de auditoria dois anos depois. Ter a inteligência da CGU ajudando o pregoeiro é um avanço inegável. E um bom sinal de que estamos evoluindo na relação entre controle e gestão.

:warning: O Ponto de Atenção O sistema não bloqueia a licitação, mas exige que o gestor dê um “aceite” e justifique caso discorde do alerta. Foi destacado que a ALICE não cria uma “nova fase” obrigatória que trava o processo. A ideia é: “Não se trata de criar mais uma etapa de trabalho, é justamente o contrário”.

Foi enfatizado que a ALICE não é uma ferramenta experimental solta no sistema; ela já foi treinada e testada exaustivamente pela CGU nos últimos anos. Antes da integração, houve uma fase de homologação pesada para garantir que o que ela aponta tem base sólida, fundamentada em critérios de risco e trilhas de auditoria pré-definidas, o que tende a ser mais objetivo do que uma IA gerativa aberta.

Essa preocupação com a robustez dos alertas é super importante. Falamos disso também no livro de fraudes, citando riscos apontados pela literatura a respeito da automação de trilhas de auditoria em sistemas de compras públicas:

Pode acontecer excesso de alertas, o que exige metodologia de priorização, agrupamento,
consolidação e simplificação.

Estou bastante curioso para ver, na prática, como os gestores vão reagir aos alertas.

É uma nova era de automação preventiva. E pelos anúncios feitos pelo Everton Santos, Diretor da Delog, no evento da Central de Compras, teremos muitas novidades por aí, baseadas no Plano Brasileiro de Inteligência Artificial voltadas especificamente para contratações. Mas isso é tema para outra postagem.

Alguém aqui já se deparou com os alertas da ALICE nessa nova fase? Como foi a experiência?

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