Prezados e prezadas colegas,
Sou fiscal de um contrato de reforma de um prédio da universidade em que atuo. O contrato é regido pela Lei n. 14.133/21.
Há poucos dias, o representante legal da empresa que executa a obra nos encaminhou uma solicitação para que seja liberada a atuação de autônomos na parcela principal da obra. Ou seja, não seria um subcontratado — o que já não permitimos que sejam autônomos (pela questão da comprovação da capacidade técnica necessária) — mas sim na execução direta da obra.
Ele nos encaminhou o seguinte parecer da AGU: PARECER n. 00003/2025/GAB-CGU/CGU/AGU (link: https://sapiens.agu.gov.br/valida_publico?id=2681370036). Resumidamente, o parecer trata deste mesmo tema, afirmando que é ilícita a exigência, por parte da Administração, de que a empresa contratada mantenha seus colaboradores exclusivamente sob o regime CLT.
Consultamos o procurador lotado na universidade para nos orientar, e ele apontou que os instrumentos da contratação teriam preponderância no assunto. Procurei no nosso Projeto Básico e nos demais documentos da contratação e não encontrei proibição nesse sentido, inclusive por ser um assunto novo, não previsto anteriormente.
Meu entendimento é que esse tipo de situação não seria interessante, pois os contratos de obra já tendem a gerar muitos problemas, e o vínculo com autônomos é frágil demais, podendo gerar ainda mais complicações.
Além disso, tanto a IN n. 5 de 2017 quanto a IN n. 6 de 2018 foram recepcionadas pela nova Lei de Licitações e ainda regem a fiscalização de contratos de mão de obra. Nelas, existe todo um regramento relacionado à fiscalização das documentações trabalhistas e previdenciárias, à carga tributária relacionada e aos direitos trabalhistas como um todo, o que me faz entender que o vínculo celetista ainda é a regra.
A minha dúvida é a seguinte: diante desse parecer, sou obrigado a aceitar a situação ou posso me opor com base nas Instruções Normativas (INs)?
Caso existam outras justificativas pertinentes para a proibição, agradeço que possa contribuir nesse sentido.